terça-feira, 20 de março de 2012

Características do Patrimônio Cultural do Município de Cururupu

Características do patrimônio Cultural DO MUNICÍPIO DE CURURUPU/MA
Por Marinelton Cruz
Praça Dr. Aquilles Lisboa

No litoral ocidental maranhense, neste importante contexto sócio ambiental,  localiza-se o Município de Cururupu, onde se desenvolve um conjunto de manifestações culturais que compõem com destaque a valorosa e diversificada cultura do Maranhão. Naquele contexto ocorre um processo evolutivo com base nos saberes tradicionais, formando a identidade cultural de principalmente três povos, que se miscigenam ao longo de mais de três séculos. 

Casa de Câmara e Cadeia¹


Os valores sócios culturais tradicionais vigentes se manifestam por meio do patrimônio material e imaterial, existentes na sede e na zona rural do município. Daí deduz-se que a observação e o estudo destas representações,   sejam; nas ruínas das  antigas fazendas que demonstram a presença simbólicas do trabalho escravo, ou na presente arquitetura do tipo colonial, ou nos vestígios das antigas comunidades indignas, assim como instrumentos ou ferramentas de trabalho característico dos tempos da idade da pedra polida, no sincretismo religioso  praticado pelas populações tradicionais em todo canto do Município, no atual modo de produção praticado na lavoura da mandioca, na pesca artesanal, na arte naval, no meio de transporte primitivo como o  carro de bois de rodas de madeiras, na confecção de utensílios de cerâmica, no artesanato, no bumba-meu-boi de costa de mão e na casa de taipa  levarão  a  apreensão dos fundamentos no processo constitutivo da identidade da população tradicional  e de seu o sistema consuetudinário no município de Cururupu.



LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO MUNICÍPIO DE CURURUPU
O município apresenta atualmente um território de 672,3 Km ², com uma população residente de 39.712 habitantes, dos quais cerca de 6.000 são moradores das ilhas. Limita-se ao Norte com o Oceano Atlântico e o Município de Bacurii, a Oeste com Serrano do Maranhão, ao sul com Porto Rico, Mirinzal e Santa Helena e ao leste com o Oceano Atlântico. Os principais rios são os que dão vazão para a cabeceira de Cururupu,Uru e  Liconde, são estes: rio Cururupu, rio Uru- mirim, rio Grande e o Igarapé-Açu, alem destes,  a região é repleta de nascentes que se interligam para formar os cursos d`aguas principais: em resumo, a zona rural de Cururupu pode ser considerada como um conjunto de Ilhas, dado aos variados  cursos d`águas que se entrecruzam. A zona costeira do Município é composta por um conjunto de Ilhas oceânicas que formam quatro arquipélagos limitando com as faixas litorâneas dos Municípios de Porto Rico do Maranhão, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum-Açu. A região forma a Reserva Extrativista Marinha de Cururupu e Serrano do maranhão oficializada pela união em 2 de junho de 2004.

A sede do município apresenta características de cidade histórica contendo um patrimônio arquitetônico avaliado como do tipo colonial. A zona rural é composta por comunidades tradicionais quilombolas e na região continental estão os pescadores artesanais.
A sede do município está a 12 metros de altitude e encontra-se a cerca de 120 Km de São Luís (IBGE 2007).


O PATRIMÔNIO CULTURAL
O patrimônio cultural do município de Cururupu começou a ser estudado  oficialmente, a partir  do Século XXI, quando A Superintendência do Patrimônio Histórico e o Centro de pesquisa de Arqueologia e de História do Maranhão e  a administração municipal firmaram um acordo de cooperação técnica para acompanhamento do governo do Estado do Maranhão por meio da Secretaria de Cultura do Estado para A Pesquisa CURURUPU Origens e Evolução Histórica Cultural no ano de 2007, que      vem sendo desenvolvida desde 2005.

O centro histórico da cidade de Cururupu representa hoje um patrimônio que servirá para desvendar o desenvolvimento das elites e o também desenvolvimento econômico e cultural de uma parcela social, que se deslocou de uma, ou mais regiões da Europa em busca de construir riquezas no Maranhão.

As principais famílias que deram origem a povoação do elemento de cor branca no Município de Cururupu, vieram de vários pontos de Portugal, se organizaram por meio do comercio e da produção primaria da cana de açúcar com interesse na industrialização da produção para fins de exportação, com isso o município de Cururupu nos primórdios de sua fundação serviu para o desenvolvimento da produção de derivados da cana de açúcar no Estado do maranhão.

“Cururupu possue um significativo patrimônio arquitetônico constituido ao longo da sua história, destacando-se na sede do município algumas edificações da segunda metade do século XIX, que apresentam características estilísticas e técnicas de interesse para preservação a nível municipal e estadual.  A casa de Câmara e Cadeia, a Casa Paroquial, a Pousada São José, o Ginásio Cururupu, além de imóveis do entorno do porto, da Praça Aquiles Lisboa, Praça São José e Praça São João Batista, são representativos da memória. ( LEITE Filho 2007)

Os africanos oriundos do daomé e da costa douro ou costa dos escravos, chegaram como uma valiosa mercadoria e um precioso bem que servia para marcar a posição social de seus proprietários conforme a quantidade de escravos que possuíam. O elemento africano teve um papel de suma importância para consolidar a população branca do inicio da colonização nas terras do município durante o período histórico que compreendia o tempo do distrito quando as terras pertenciam ao município de Guimarães.

Os escravos que eram a base econômica dos escravocratas formavam  comunidades nos arredores das casas grandes das fazendas e depois, com o fim da escravidão foram se espalhando  nas da terras mais para dentro da floresta, quando formaram comunidades junto aos pouco índios que restavam escondidos na mata alta.

 Assim como também em escala maior formaram comunidades por titulo de doações de pequenas propriedades desmembrados das terras principais, que eram doadas aos filhos bastardos dos senhores escravocratas com suas escravas: estes então doavam os pedaços de terras juntamente com uma porção de escravos; com poucas exceções os quilombolas da atualidade do município de Cururupu não têm suas terras originadas neste processo.

No decorrer do tempo que começa logo após o processo escravista a com a extinção do plantio da cana-de-açúcar, a produção da farinha de mandioca marca também um período de prosperidade nas fazendas dos poucos senhores donos de engenho que resistiram no lugar. Dai em diante permanece até a atualidade como o principal produto produzido na lavoura do município.

Os gentios ou os Índios tupinambás habitaram por muitos séculos a costa e as porções de terras nas margens dos rios do maranhão. Há registros históricos que em Cururupu estes índios habitavam a costa e as margens dos rios que desembocam na antiga baia de “Cabelo de Velha’ hoje baia de “Mangunça” e toda a extensão do que é hoje identificado como terras do município de Cururupu.

 No inicio do século XXI, estamos encontrando os vestígios desta civilizarão que reinou muito antes do elemento Europeu chegar e por meio das armas matarem e disseminarem a nação tupinambá da região da baixada e do litoral ocidental do maranhão. Consta que por meio de sangrentas guerras os Governos da província do Maranhão de Jerônimo de Albuquerque e Bento Maciel parente  exterminaram e expulsaram desta região  varias povoações da nação tupinambá.

Por todo o município de Cururupu incluído a sede e a região das ilhas oceânicas encontramos vestígios seja: na forma de ferramentas, utensílios domésticos ou de restos alimentares, os fragmentos vão demonstrando que na região existiu  um povoamento em que cuja cultural continua latente e possível de ser resgatada para uma analise profícua.

Os vestígios destas ocupações estão sendo localizados por toda a parte  do Município, inclusive no centro da cidade: Artefatos de pedra,  e Sambaquis estão presentes pelas comunidades nas áreas central e costeira. Localidades de Cururupu onde foram encontrados objetos que caracterizam vestígios de civilização indígena: centro rua Rio Branco, comunidades de: Aliança, Entre Rios, Alto Brasil, Condurus, Lençóis, Mano Santo, Vinagreira, Tapera de Baixo, Aquilles Lisboa, Bairro de Areia Branca

“Por volta de 1948 o pesquisador  José Silvestre Fernandes durante uma visita ao município observou a existencia de pelo menos 3 sambaquis nos lugares conhecidos como Areia Branca,  Ilha das Moças e Mocambo.Detectou a exploração de forma intensiva desses locais para a fabricação de cal , e que durante a construção de uma estrada em Areia Branca foram encontradas muitas ossadas humanas, além de farmentos de uma cerâmica mal cozida. (Fernandes, 1950 In LEITE Filho 2007)
A srª Inácia de Azevedo Trovão, 91 anos, forneceu um relato que corrobora as informações feitas pelo pesquisaddor acima mencionado, moradora desde os 20 anos nesse local, Rua do Matadouro, Areia Branca, nos informou: 

 “Aqui neste lugar era mato. Ali fizeram um trapiche e uma barragem, e o prefeito mandou cavar, apareceu ostra, caco de pote e muito osso de gente, tinha osso de braço, cabeça, etc. Quando cavava pra tirar o sarnambi aparecia os ossos. Essa terra tiraram todinha pra entulho, ainda tinha as terras pretas, as camadas. As crianças brincando achavam pedra de trovão. Os ossos que foram achados nessa época,  tiravam ruma, fizeram um monte de mais de metro, botaram querosene e tocaram fogo. Até o ano passado, 2004, na última casa acharam uma mandíbula, tava enterrado. Depois, Cururupu tem 163 anos, então naquele tempo morava índio”. ( LEITE Filho 2007).

 O local encontra-se parcialmente urbanizado, mas as casas apresentam grandes quintais e na região da serraria, por baixo da serragem, devem ter resquícios do rederido sambaqui. A área é de grande interesse e poderá ser pesquisada, apesar das muitas restriçoes, futuramente através de um convênio da prefeitura com o Centro de Pesquisa. A própria rua, conforme informações prestadas por outros moradores, apresenta um grande potencial. Em frente a casa da Srª Marlene Mafra Paurá, 49 anos, foi encontrado um achado que não teve o tratamento devido : “ As crianças brincando no quintal sempre achavam dentes, pedaços de ossos, mas jogava fora.  Em 2004 foi encontrado na porta da minha casa um esqueleto completo com a cabeça deitada dentro de alguidar pequeno; estava de lado com as pernas dobradas, todo curvadinho. Disseram que era macumba, despacho, uma moça falou que era de moradia de índio.  Ai o delegado foi chamado, eles cavaram foram tirando com tudo,  esbandalharam o alguidar e eles levaram os ossos maiores num saco de nylon. O delegado (Jarbas) falou que era um corpo de uma criança de muito tempo e ia fazer perícia”. ( LEITE Filho 2007)
  A área apresenta as seguintes coordenadas georrefernciadas:
  
                    Elev. 14 metros

                23 M  0514496
                              9797238
Em toda a região em que hoje compreende o espaço territorial do Município de Cururupu incluindo o centro Histórico, encontra-se vestigios de arquéologia histórica e pré-histórica, em 2009 encontramos na rua rio claro no centro da cidade, no meio da rua numa àrea escavada pela enxurrada da chuva pedaços de cerâmicas e porcelâna, que foram identificados pelo CENTRO DE PESQUISA DE HISTÓRIA NATURAL E ARQUÉOLOGIA DO ESTADO DO MARANHÃO, como material de arqueologia Histórica e Pré-histórica respéctivamente.

Nas comunidades de Entre Rios, Codurus, Alto Brasil,  Boa Vista e  Mano Santo, achamos de posse dos moradores das citadas comunidades, machadinhas de pedras que os comunitários identificavasm como “pedra” de “Corrisco”as mesmas foram identificadas pelo CENTRO DE PESQUISA DE HISTÓRIA NATURAL E ARQUÉOLOGIA DO ESTADO DO MARANHÃO, como artefatos indígenas do período da pedra polida.

Contam os moradores das referidas comunidades que no passado era comum encontrarem estes materias nos roçados pelo meio do mato e beira dos rios. Nas  comunidades de Aliança e Tapera de Baixo, encontrmos Areas que podem ser definidas como sambaquis, dado a enorme concentração de conchas e esqueletos de animas marinhos como caragueijos e outros residuos.
 No povoado Tapera de Baixo existe uma area de roçado de quase um hectere, contendo estes fosses, infelizmente este patrimonio esta sendo degradado;no local, funciona uma pedreira onde sua exploração avança sobre os vestigios. .



Em maio de 2011 No Bairro de Areia Branca encontramos um local proximo ao mangue no fim da rua do matadouro uma grande areá, repleta de restos de materias que caracterizam vestigios dos primitivos habitantes da região.
LOCALIDADES ONDE FORAM ENCONTRADOS VESTÍGIOS DOS       PRIMITIVOS HABITANTES DO MUNICÍPIO DE CURURUPU
De 2007 a 2011
Comunidades:
·         Aliança: Sambaqui ¹
·        Tapera de Baixo: Sambaqui;
·         Vinagreira: Sambaqui e artefatos (lamina de machado de pedra polida)
·         Mano Santo: Artefato indígena (lamina de machado de pedra polida²) e engenho de roda de bois³;
·         Aquiles Lisboa: Artefato indígena ( lamina de machado de pedra polida) e sambaqui;
·         Monte  Alegre: Artefato (lâmina de machado)
·         Conduru: Artefato indígena;
·         Entre Rios: Artefato indígena e engenho de roda de bois;
·         Alto Brasil/Boa Vista: Artefato indígena e Engenho de roda de bois;
·         Ilha de São Lucas: Artefato indígena;
·         Ilha de Lençóis: Artefato indígena;
·         Ilha da Mulata: ossadas;
·         Bairro de Areia Branca: Sambaqui;
·         Centro: Rua Rio Claro; Cerâmicas.
O Município de Cururupu contem um conjunto de fatores histórico cultural que certamente contribuirá para o enriquecimento do acervo cultural e  desenvolvimento do povo maranhense.

¹ Casa da Câmara e Cadeia: era o edifício no período do Brasil colônia e parte do periodo imperial onde estavam instaladas os órgãos da administração pública municipal.²Sambaqui: depósitos de conchas,  restos de cozinha e esqueletos, acumulados pelos habitantes pré- históricos do litoral e das margens dos lagos e rios brasileiros.
Abrigava em geral a Câmara Municipal e os órgãos a ela ligadas , como  Câmara de Vereadores, o Juiz de fora, o presidente da Câmara, o procurador, o juiz de Direito e o tribunal, a guarda policial (chamada de "milícia") e a cadeia pública.
³ Pedra polida: O Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida (por
causa de alguns instrumentos, feitos de pedra lascada e pedra polida), é o
período da Pré-História que começa em 8000 a.C..
4 -Engenho de roda de bois: engenho que utilizava uma engrenagem mecânica movida a tração animal, que consistia em; um moinho com partida a partir da tração  de uma grande roda impulsionada pela força de uma ou mais juntas de bois, que ao gira-la, forneciam a energia mecânica que acionava o resto do mecanismo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ARQUIPÉLAGO DE MAIAÚ


Arquipélago de Maiaú  
Texto e fotografias: Marinelton Cruz



MAIAÙ: Maiaú era criança de Matakula e de Kaituloa. Infelizmente Maiaú não teve nenhuma criança. (tuvalufamili@yahoo.com.au).
 A denominação do arquipélago  tem origem no nome da maior e principal Ilha. Nela está localizada a comunidade de Bate-Vento e o Farol de são João: entre os rasgados da
“Aliança”(que separa Maiaú da Ilha de Lençóis) e furo do Meio, ( que separa a Ilha maiaú da Ilha do Meio) no litoral ocidental do Maranhão na região do Município de Cururupu” nas Coordenadas Latitude 01º16"88 S e Longitude 44º55"18 W,

 Na segunda metade do século XVIII, a Marinha do Brasil denominou o local de Ilha de São João, a onde chegaram em viagem de reconhecimento, pretendia instalar um farol sinalizador que servisse para orientar as embarcações que viajavam no sentido Maranhão- Pará e vice-versa. Daí em  1884,ali inauguraram o sinalizador batizado como O Farol de São João.
O arquipélago situado entre a baía de São João e a Barra do Machado (Urumaru)  leva a denominação de Maiaú, em consideração ao tamanho da Ilha, a maior do arquipélago.
Farol de São João: o segundo, em importância na navegação brasileira.

A ilha passou a ser denominada de Maiaú em homenagem a um pescador do mesmo nome que residiu em lugar ermo no centro da Ilha, fora da comunidade; esse cidadão recusava-se a morar junto aos seus contemporâneos. Quando Maiaú morreu, os moradores da comunidade de Bate Vento passaram a identificar a Ilha com o nome dele.

            Maiaú é a maior ilha do arquipélago que leva seu nome e possui uma vasta área; desde tempos imemoriais esta Ilha vem sendo reivindicada como propriedade particular. Em depoimento, uma moradora da ilha de Porto do Meio afirma que Maiaú, assim como Porto do Meio são antigas propriedades de Leotério Moura, e que estas foram herdadas por seu filho, Antonio Moura, que as vendeu ao senhor Amado Joaquim, que por sua vez as doou para sua filha Dalvina Amado. As ilhas são reivindicadas atualmente por seu Ângelo, viúvo de dona Dalvina Amado.


            Segundo o Ministério Público, através da Regional do Patrimônio da União no Maranhão, os pretensos donos destas Ilhas não apresentaram na época documentos comprobatórios de posse particular. Conforme relatório do IBAMA/CNPT, os documentos que teriam validade jurídica seriam os documentos cartoriais da época das sesmarias de 1830, que não constam nos registros atuais. Mais os mesmos órgãos dão conta de que fizeram buscas nos cartórios dos municípios de Guimarães e de Cururupu e lá encontraram recibos e mapas, mas que estes não possuem valor para efeito de desapropriação da área pela União. Segundo estes órgãos, as Ilhas são propriedade da União e, portanto, de domínio público.

           
Em Maiaú, as atividades econômicas passam pela pesca e pelo comércio, e ali já funcionou uma salina, fundada pelo senhor Angelo em 1947. No mesmo local da salina funcionou um criatório de camarões na década de setenta do século passado, financiado pela extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM. Na ilha está localizado o Farol de São João, o segundo mais importante farol brasileiro, eleito pelos correios em 2000 para cartão postal e símbolo nacional.

            Os registros obtidos na comunidade de Bate Vento por meio da narrativa dos moradores dão conta de que os primeiros habitantes do local foram os pescadores artesanais, responsáveis pela principal atividade econômica da ilha, embora alguns tenham se dedicado à pequena agricultura de subsistência. Os moradores mais idosos da comunidade contam que as primeiras modalidades de pesca artesanal introduzidas foram as de tapagem de igarapé, munzuá, tarrafa, curral e, depois, pela década de quarenta do século vinte, a zangaria, trazida pelos pescadores cearenses, como afirma Jacó Lopes Passinho, 68 anos, nascido em Bate Vento.

            Os comerciantes também tiveram papel importante para a comunidade, já que através do comércio forneceram aos moradores os gêneros necessários, comercializando os produtos produzidos pela pesca local. Dona Dalila Nair Passinho, 90 anos, que chegou na comunidade com doze anos, em 1926, conta que “o comércio na região era primeiramente itinerante; mais tarde, com o crescimento da população, os comerciantes foram aumentando e fixando residência nas comunidades.
Em Bate Vento os comerciantes dessa época foram os imigrantes sírios da família Passinho e Anciff. Os comerciantes remanescentes dessa época, atualmente ali residentes são
Aquino Passinho e Caburé Passinho.

Comunidade Bate Vento  

            A Comunidade de Bate Vento situa-se na ilha de Maiaú, próxima do farol de São João, e tem esse nome conforme sua localização, às margens de um igarapé que fica de frente para as correntes do vento forte que sopra do sul durante a estação chuvosa. Com 127 residências e uma população de 316 pessoas, possui campo de aviação, energia elétrica, telefone público, posto médico, comércios mistos de botecos e quitandas agradáveis, pessoal bacana e hospitaleiro, excelente porto e rio de acesso com fácil navegação. Funciona como ponte com a vizinha ilha de Lençóis. A população é composta de pescadores que se ocupam na pesca artesanal e comercial, sendo que a principal modalidade da pesca nesta comunidade é a pescadeira ou malhão, usada principalmente para capturar a pescada amarela. Bate Vento cumpre o papel estrutural para turistas que visitam a ilha de Lençóis e o Farol de São João.
            
 Bate Vento é a maior e a mais antiga comunidade do arquipélago, sendo de singular importância para o desenvolvimento do local. Serviu de suporte para a povoação da maioria das comunidades da região. Nessa ilha se desenvolveu a maior produção de sal da região, durante a década de sessenta do século XX. Foi também o local do maior projeto de criação de camarão financiado pela então Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, no litoral ocidental do Maranhão.

          
Beto Matuck e Claudio Farias: no cimo do Arquipélago
 
A ilha esteve envolvida em recente polêmica envolvendo disputa pela sua posse, reivindicada por um antigo morador, empresário e dono dos principais investimentos na área e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, durante o processo de criação da Reserva Extrativista Marinha - RESEX dos Municípios de Cururupu e Serrano do Maranhão. O Ministério Público deu ganho de causa para o IBAMA, que então criou a reserva em 2004. Bate Vento tem esse nome provavelmente devido a sua posição geográfica, pois fica de frente para o nascente e recebe fortes cargas de vento durante o período do verão maranhense.
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

FAZENDA ALIANÇA


FAZENDA ALIANÇA
Por: Marinelton Cruz


História
Em 1884 Manoel Braga Ribeiro da Cruz, Filho Único de do senhor de engenho, José Ribeiro da Cruz proprietário da Fazenda São Tomé (Ribeiro 2008). Aos 22 anos Manoel Braga iniciou o processo de transformação de uma iniciativa pioneira no Maranhão, que veio a se tornar uma das mais prósperas indústrias da cana de açúcar no Brasil durante o período entre 1886 a 1965.
O Coronel “Manduca Ribeiro” como Viera a se chamar popularmente, conduziu com grande habilidade a transformação de um engenho rústico da sua propriedade em um sofisticado sistema industrial, movida a vapor onde incluiu inclusive a mudança do curso de um afluente do rio Uru-Mirim, fazendo com que este fosse desviado de seu curso normal a braço de homem, por mais de dois quilômetros por dentro da propriedade para dar vazão à força d água que gerou a energia necessária para dar rotação as maquinas do engenho movidas a vapor, durante o processo de escavação do rio: o Coronel comandou o aprofundamento do mesmo na região que este encontra-se com o manguezal para fazer um porto que serviu por quase um século para escoar não os produtos da fazenda aliança, e o que era produzido nas propriedades das imediações.
O Coronel também se dedicava ao comercio na região, beneficia-se escoando a produção local e introduzia gêneros e outros bens das necessidades dos habitantes do Município no seu tempo; chegando a ser o maior e mais prospero comerciante de Cururupu, que inclusive, era responsável pela introdução dos produtos como; fundos de chapa de ferro para fornos de torrar farinha, ferramentas, utensílios e bens domésticos duráveis, assim como o Gado e cavalos.
A capacidade tecnológica implantada na Fazenda Aliança por “Manduca Ribeiro” para a produção de derivados da cana de açúcar como: o açúcar mascavo e a cachaça ALIANÇA, esta ultima que alcançou o  mercado externo, trouxeram o seu reconhecimento nacional na imprensa maranhense;
“ O  Município de Cururupu, no litoral Norte, e o maior produtor de açúcar em todo estado do maranhão, por esta ali situada a vasta e mais bem aparelhada fabrica do importante produto, em terras maranhenses. Trata-se da Usina Aliança uma realização de iniciativa privada, que é um orgulho para o maranhão, e que produz açúcar de qualidade superior, capaz de rivalizar com o melhor que se fabrica em todo o pais”. ( Álbum do Maranhão, 1951, In Ribeiro 2008)

SANTA LUZIA                   
Tinha por tradição o Coronel Manoel Ribeiro da Cruz (Manduca Ribeiro)
Não fazer uso da mão de obra produtiva nos dias de Santa Luzia (13 de Dezembro) na Fazenda Aliança. Certa vez Manduca Ribeiro viajou para São Luis e seu capataz autorizou o trabalho oficial no dia de Santa Luzia: neste dia aconteceu um acidente com explosão de uma caldeira que matou cinco pessoas e feriu mais de uma dezena.
Diz a Lenda que a partir daí começou o declínio da fazenda. Um fato Curioso que passou a ocorrer no local depois desta fatalidade, foi que a morte começou a acontecer em serie na comunidade de Aliança: quando morria um sempre vinha outras mortes em seguida.
 Em 1924 existia um regime de trabalho infantil que pagava dez tostões por meio dia de trabalho para cada criança. No restante do dia a criançada estudava na escola da comunidade, mantida com recursos do coronel Manduca Ribeiro. A educação infantil era  obrigatória.
O coronel começou construindo sua fortuna nas terás que herdará no Município de Cururupu.
O Coronel Manduca Ribeiro foi pioneiro na construção de  prédios no centro da cidade, como  exemplo temos a atual casa paroquial e as construções   e algumas casas de seu entorno.
Em seguida este se transferiu para as margens do,rio Baia no local da atual ruína da casa grande da  Fazenda Aliança, de lá o Coronel passou a administrar todo a região que é na atualidade o Município de Cururupu.
Odorico Almeida foi o Capataz do Curral Grande Da Fazenda: Paulo Avelar e João Zeca, eram os encarregados da Loja grande que distribuía  gêneros para Cururupu e Mercados adjacentes. Manduca mantinha o mercado inclusive com Animais, que eram trazidos de outras praças como Parnaíba São Luis, Para e outros mais distante.

O MACACO DE FERRO.
Havia por volta de 1930 na Fazenda Aliança uma inovação tecnológica  representada por um Robô de ferro em forma de macaco, que funcionava num corredor de trilho carregando lenha para dentro da fornalha da caldeira, o macaco leva braçadas de lenha e também qualquer coisa que estivesse ao alcance de seus braços.
Contam os moradores mais antigos, que certa vez um boi velho que não era mais utilizado nos serviços de carga da Fazenda, o mesmo costuma pastar solto pela arredores dos engenho: um dia passava pela frente do monte de madeira no momento em que o Robô ia pegar uma braçada; o robô  abraçou o boi, levando-o e o lançando  vivo na enorme caldeira.